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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

COM GENTE ASSIM... QUE SERÁ DESTE POBRE PORTUGAL?

Na última visita que fiz à zona de exposição de livros de um hipermercado deparei-me com uma obra com o seguinte título:

Atribulações de uma operadora de caixa. Habilitações: licenciatura. Função: operadora de caixa.

Não resisti a folhear o livro, iniciando também a leitura de algumas das suas páginas. A autora do livro é licenciada em Literatura. No entanto, não conseguiu arranjar trabalho enquadrado na área em que se licenciou e, em consequência disso, desempenhou a função de operadora de caixa de um supermercado, procurando assim assegurar os seus meios de subsistência.

O livro é um bom exemplo de como, a partir de uma simples actividade quotidiana como a apresentação das compras a uma operadora de caixa, se pode fazer análise social muito interessante. Os cerca de quinze breves minutos de leitura do livro permitiram constatar que a autora delineou vários comportamentos típicos dos consumidores. Desde aqueles que são especialistas em aproveitar todas as promoções, a outros que tentam os furtos e quando são descobertos reclamam ofendidíssimos contra o facto de a sua dignidade estar em causa com tal suspeita, são diversos o perfis de consumidores que a autora caracteriza e dá a conhecer.

Mas para além dos comportamentos tipificados, a operadora de caixa revela também os assédios, as antipatias, as arrogâncias e demais peculiaridades dos compradores que encontrou. Este livro não deixa também de ter algumas descrições, com humor, da vergonha dos clientes em comprar certos produtos, quando outros optam antes por se apresentarem como grandes gabarolas e fanfarrões.

Na verdade, são muitas as descrições interessantes de situações vividas pela autora na sua profissão. No entanto, uma delas chocou-me bastante. Uma senhora, acompanhada de seu filho e pelos vistos muito preocupada com a escolaridade deste, tomou como exemplo a operadora de caixa (relembro que era licenciada) para recordar ao filho: «Se não estudares acabas assim como esta senhora a operador de caixa.»

Desculpem a confissão e as palavras, mas pensei:

Pobre criança. A viver com uma mãe que pensa assim, certamente não chegará muito longe por mais que estude.


Talvez a operadora tenha pensado: «Estuda miúdo, para não ficares assim... como a tua mãe.»

Na verdade, não sei se a autora do livro assim pensou. Estou a especular. Mas uma coisa é certa. Não é com mentalidades destas que o país vai para a frente. Pobre Portugal e mais gente como esta.

P.S. Voltarei ainda ao «pobre Portugal», porque não é só a senhora. Há mais criaturas.

2 comentários:

Ana disse...

Pois é Minha Flor, é o Portugal que temos, nem todas as cabeças pensantes são como a tua, a minha e de outras minorias. Temos de viver com estas situações e saber ultrapassar, se alimentamos estas mentalidades ai estamos tramados, os nossos horizontes tem de ser mais abertos...

adyr disse...

verdadeiramente digo "pobre portugal"
um país retido pelo preconceito, nao há muito que evoluir...